Este estudo analisa os desafios, riscos e possibilidades que enfrentam as comunidades rurais, camponesas e indígenas no contexto do capitalismo digital, caracterizado por profundas desigualdades no acesso e uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). A partir de dados globais, evidencia-se que a brecha de conectividade afeta principalmente as zonas rurais, mas argumenta-se que o problema não é apenas de acesso, mas de construir uma conectividade significativa, pertinente e situada a partir dos territórios rurais e indígenas. A pesquisa propõe o conceito de “telecomunicações para a autonomia”, entendidas como processos comunitários de apropriação tecnológica orientados para o fortalecimento de suas próprias formas de organização, comunicação e desenvolvimento. Esse enfoque se sustenta na análise do caso da União de Cooperativas Tosepan Titataniske, Radio Tosepan Limakxtum e Wiki Katat na Serra Norte de Puebla. Por meio de uma abordagem teórico-metodológica baseada na experiência de acompanhamento, o estudo mostra como as comunidades podem projetar, operar, gerenciar e sustentar suas próprias infraestruturas de comunicação e conectividade. Conclui-se que as telecomunicações, longe de serem neutras, podem se converter em instrumentos fundamentais para o fortalecimento de autonomias e projetos de vida de comunidades rurais e indígenas da América Latina.